É a diversão, burro!

Muito bom artigo do Dr. Barbosa da Cruz

Durante dias a fio discutiu-se ad nauseam a indisciplina de Luis Suárez, o negacionismo de Rui Borges ou o incendiarismo de Frederico Varandas.

Parecia que o futebol português se esgotava nestes temas, sempre acompanhados das profecias apocalípticas do costume, ou seja Suárez a forçar a saída, Rui Borges que não é treinador para o Sporting e Frederico Varandas, o agitador inoportuno.

Estas obsessões não acontecem por acaso, outrossim são fabricadas e convenientes por duas razões.

A primeira é que a desestabilização do Sporting passou a ser um clássico de pré-época, a partir da emergência da sua reafirmação desportiva. Qualquer pretexto serve, Gyökeres, Hjulmand, Pote, Catamo, contanto que se especule e que se agoire.

A segunda é que, enquanto se discutem estes assuntos, deixam-se passar em claro outros, que dá menos jeito trazer à ribalta.

Justamente, enquanto se decifrava o sentido último dos salmos enigmáticos escolhidos por Suárez, ficam na penumbra questões muito mais relevantes e não menos embaraçosas para os seus protagonistas.

A primeira foi a troca de talento por músculo operada no Porto, com a venda a preço de saldo de Rodrigo Mora e a contratação de mais futebolistas da linha pugilística que hoje parece fazer escola para aquelas bandas.

Qualificar a saída de Mora como negócio oportuno e justificado pela pouca utilização é uma desculpa esfarrapada, que nem a guerra de piropos que se seguiu consegue disfarçar, e a Roma vai ganhar muito dinheiro com este inesperado maná. E a verdade é tão cristalina como água pura: vende-se Mora porque a necessidade aperta, não houve outras propostas e o estado de tanga arruinada em que Pinto da Costa deixou o clube ainda vigora, mas o tema é tabu, não vá ele ferir suscetibilidades adormecidas.

A segunda é o lixo que o Benfica vai varrendo discretamente para baixo do tapete. Ivanovic e Ríos emprestados, Sidny Cabral estadia relâmpago,Trubin e Lukebakio em grandes secas no banco, Sudakov que não rende e Kaminski que não calça.

 Tudo somado, umas largas dezenas de milhões de euros derretidos, um scouting que erra mais do que acerta, uma estabilidade que tarda, que nem o estardalhaço com a contratação no mínimo dispendiosa de Palhinha ilude, pelo menos para aqueles que não se deixam embalar pelas trombetas do triunfalismo que todos os inícios de época ecoam na Luz.

Já estou, de há muito, habituado às agendas da comunicação no futebol, mas continuo a reagir mal àquelas que nos tomam por burros. Defeitos de sportinguista!

👏👏👏👏👏👏👏

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