Ninguém sabe, ao certo, o que uma temporada reserva quando ela começa, é sempre um tiro no escuro. As primeiras impressões vão-se formando nos testes iniciais (que, convenhamos, não contam para nenhum campeonato), mas nada é definitivo, até porque ninguém consegue prever o dominó de caprichos do mercado até ao início de setembro. E diga-se que, talvez impulsionado pelo Mundial, nunca se viram clubes a gastar somas tão obscenas em jogadores tão banais. Os deuses da Premier League devem estar loucos com a fortuna ali delapidada neste verão.
O que importa realçar é que uma conta bancária recheada não garante troféus. Como bem dizia Johan Cruyff: "Um camião de dinheiro nunca ganhou jogos". Veja-se o exemplo do Chelsea, que detém a coroa de campeão dos últimos mercados, já esbanjou mais de mil milhões de euros em reforços nos últimos anos e, ainda assim, alcançou apenas o décimo lugar na melhor Liga do mundo na época passada. Sem estratégia e sem planeamento, o caminho para o sucesso torna-se bem mais complicado.
Por cá, diz-se que o Sporting tem muito dinheiro e, por isso, está mais ágil nas contratações. Mas isso é apenas uma parte da verdade. O essencial é que Frederico Varandas tem um plano.
Quanto à primeira parte – os leões de cofres cheios, isso é sinal de saúde financeira, fruto de uma boa gestão da SAD. Quanto à segunda, o plano propriamente dito, importa analisá-lo. Poderá falhar nalgumas apostas (já aconteceu no passado com jogadores que não fizeram história), mas, no geral, os sportinguistas estão satisfeitos por ver o plantel a ser construído com método, a régua e esquadro, adquirindo peças válidas para substituir as que vão saindo.
O plano de Frederico Varandas comporta risco, naturalmente. No entanto, era visível que alguns futebolistas, que deram tudo, ganharam muito e perderam a fome, estavam em fim de ciclo. A final da Taça de Portugal é prova disso.
Nesta renovação, entram novos craques com fome de se afirmarem, de se valorizarem e de conquistarem títulos. Altimira, Doumbia e Zalazar são mais-valias sensacionais – o mercado leonino teve critério.
Para o plantel ser perfeito, falta encontrar um lateral-esquerdo e um guarda-redes que supere Rui Silva. Com Diomande a segurar o eixo central da defesa, as garantias estão lá. Restam, porém, duas incógnitas:
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Quem será o líder da equipa? Não há nenhum Hjulmand. Maxi Araújo tem muita garra, mas, em muitos momentos do jogo, falta-lhe inteligência emocional para capitanear.
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Terá Rui Borges mãos para este novo plano? Só o campeonato ditará a sentença final num cenário em que o FC Porto parece estável e o Benfica segue sem planeamento à vista.
Opinião de Rui Calafate (Record)
/// Há quem não aprecie o Rui Calafate, tudo bem. Nesse caso, olhem para a mensagem, não para o mensageiro.
O Rui é amigo de familiares meus que cursaram com ele na Universidade Católica, assim como com o director do Record, Bernardo Ribeiro. Todos são sportinguistas, vos garanto!. 😀