Ontem, no Camarote Leonino, o amigo Nação Valente, reflectiu sobre a problemática da arbitragem e, em que medida, o nosso Clube é sistematicamente prejudicado. Em determinado momento do seu texto assinala que os nossos rivais “andam desde o início do campeonato a fazer pressão sobre as arbitragens, sem qualquer razão”. E é muito justo neste seu reparo. A propósito de tudo isto recordei-me de um episódio que se verificou no final da década de 1990 e que faz parte da história do futebol português.
Em 1998-99, o Sporting chegou a liderar a classificação do campeonato nacional (8ª e 9ª jornadas). Mirco Jozic era o treinador e colocou uma equipa bastante jovem a praticar um futebol com muita qualidade, ofensivo e uma boa média de golos. Foi uma época “azarada” no que respeita a arbitragens, durou quase desde o início do Campeonato até praticamente ao fim.
Aconteceu de tudo um pouco, e começou na 3ª jornada em Coimbra com a anulação de um golo limpo a Edmilson. Mas, quando Jorge Coroado não viu em Chaves três penáltis claros a favor da equipa leonina e depois garantiu que estava cheio de azia, o Conselho Directivo presidido por José Roquette decretou o luto. A bandeira do Sporting foi colocada a meia haste e foram adoptados sinais institucionais de acordo com a situação de luto.
Na jornada seguinte, as bancadas do Estádio de Alvalade ficaram na escuridão e os jogadores apresentaram-se com meias pretas, a cor da braçadeira de Beto e de milhares de balões que foram largados. A Académica utilizou o equipamento branco também em sinal de luto. Os leões venceram por 5-0, Acosta marcou duas vezes na sua estreia e Edmilson fez uma exibição memorável participando nos cinco golos do jogo.
A decisão do Conselho Directivo produziu pouco ou nada. Logo no jogo seguinte, em Campo Maior, o defesa campomaiorense Quim Machado fez de guarda-redes e não foi sancionado. Rui Jorge diria que em muitos anos de futebol nunca vira nada assim. A greve dos árbitros contra o Sporting foi a cereja em cima do bolo. Os leões terminaram no 4º lugar da classificação e Mirko Josic saiu, deixando uma equipa que, com reforços cirúrgicos, seria campeã nacional na época seguinte. Mas, isso são contas de outro rosário.