E agora, Sporting?

Há algo que valorizo em Rui Borges. Ele possui uma ideia de jogo, um projecto para a equipa sportinguista e procura não abdicar daquilo que pretende. Não é uma questão de teimosia ou de dogmatismo, até porque em 2024/25, ao que constou a pedido do plantel, assumiu o 3x4x3 de Ruben Amorim que levaria à conquista do título nessa época. Pelo projecto do treinador foram realizadas determinadas contratações, alguns jogadores adaptaram-se mais rapidamente, outros precisam de mais tempo. Isto acontece em todas os clubes, o Sporting não é excepção.

Não corresponde à realidade a convicção de que a preparação de uma equipa de futebol é algo que se consegue rapidamente. Depende das circunstâncias e das características intrínsecas dos jogadores. Rui Borges está a trabalhar um plantel com o perfil de jogadores que ele, obviamente, apoiou a contratação. Cinco titulares saíram, houve uma mudança estrutural. Alterou-se uma linha recta que ia de uma grande área à outra grande área. Quem saiu contribuía para dar coerência a comportamentos individuais, movimentos tácticos e referências espaciais.

Muitos sportinguistas parecem considerar que a história do Clube é feita de vitórias fáceis. Engano. Desde que me recordo da vitória na Taça das Taças, em 1964, sei que as nossas conquistas são muito sofridas. Percebo as expectativas, as críticas a Rui Borges. Há falhas tácticas individuais e colectivas, alguns jogadores não estão confortáveis na missão que lhes é exigida. No entanto, se existe inconsistência não será um problema do projecto, mas o preço da reconstrução.

Na fotografia, a equipa leonina que iniciou o jogo com o Galatasaray.

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