Não há nenhum sportinguista que fique mais chateado que eu, depois de um resultado negativo, mas nunca atribuo a responsabilidade de forma individual. Sendo o futebol um desporto colectivo, para mim a culpa é de todos os intervenientes ,desde o topo à base.
É curioso verificar, no microcosmo deste espaço, que ontem num post sobre o jogo, aumentou exponencialmente o número de participações que chegou à centena. O que chama a atenção é que em jogos vitoriosos, os comentários pouco ultrapassam uma dezena, em média. A outra conclusão que se tira, é que a maioria dos comentários se foca na propalada incompetência do treinador, ou seja, despede-se o homem e fica tudo resolvido.
Diz-se que vale mais cair em graça que ser engraçado. Foi o que aconteceu com Amorim. Ganhou dois campeonatos, mas perdeu três e nunca se viu a mesma sanha persecutória, talvez pela sua imagem e pelo discurso. Borges não tem capacidades encantatórias.
Mas Borges tem capacidades técnicas comprovadas, com um campeonato e uma taça no currículo e em menos tempo. Teve um segundo lugar na última época, a melhor participação na Liga do Campeões, com uma equipa muito espremida que claudicou no final da época por cansaço e lesões.

Iniciou este campeonato com uma equipa renovada e mais jovem e teve apenas pouco mais de um mês para a preparar. Por outro lado, não sabemos quem teve a iniciativa da renovação, devidamente programada. O que sabemos é que teve dois empates, que se devem a alguma apatia no fim dos jogos. O que também não sabemos é a que deve essa apatia dentro de campo. Mas é fácil de resolver: crucifica-se o bode expiatório de todos os pecados, e salva-se o mundo.
Para mais, a equipa, para além de erros próprios, foi prejudicada pela arbitragem que escamoteou um penálti, e anulou um golo excepcional, alegando mão ocasional, como se pudesse jogar futebol sem mãos. Pode ser legal, mas é imoral. Uma vergonha, mas isso passa ao lado dos protestantes. O que interessa é atirar ao Borges. Como tenho memória, lembro-me o que aconteceu durante vinte anos, duas vezes, com este comportamento. Campeonatos. zero.
Estamos com seis jornadas, e já se decretou a derrota da equipa. O mundo do adepto é a emoção, mas um pouco de racionalidade não ficava mal. A equipa precisa de apoio e de tempo. Tem de se forjar na luta. O adepto deve estar com os seus, quer com os dirigem, quer com os que jogam e às vezes falham. Porque são humanos.
Tenho vindo a dizer que esta campeonato vai ser mais disputado, os adversários estão mais fortes e é preciso muito rigor. Para além disso, só ganha um e nenhuma equipa consegue ganhar sempre. Se em três ganharmos um campeonato, como disse Varandas, será uma boa média. Estamos em condições de a cumprir. Agora não a cumpriremos, se voltarmos às chicotadas psicológicas constantes. Espero que Varandas seja coerente, como foi com Amorim. Quem vem a seguir? Treinadores não faltam. Cada adepto, com as devidas excepções, cada treinador.