Dilemas leoninos!

Rui Borges está longe de ser um treinador dogmático. Durante muito tempo ouvi dizer e li um pouco por todo o lado que o seu sistema preferido é o 4x2x3x1. No entanto, abdicou dele para repor o de Ruben Amorim, o que conduziu o Sporting à dobradinha, segundo alguns a pedido dos jogadores. Todos nos lembramos da importância de Gyokeres que tinha Hjulmand, Morita, Pedro Gonçalves e Trincão a rodeá-lo, para além de um Catamo altamente produtivo.

Para a época em curso alterou-se o meio campo, o coração da equipa. Chegaram outros jogadores, diferentes dos que saíram, menos tecnicistas e associativos, mais físicos e directos na profundidade. No início, foi adoptado o sistema que se diz ser o seu eleito. Mas, talvez por alguma fragilidade defensiva, passou a utilizar outro, o 4x3x3 a partir do jogo com o Braga, talvez por considerar que se adaptaria melhor aos seus jogadores e às equipas adversárias. 

A alteração implicou novos processos, parecendo aproximar-se do perfil táctico que Francesco Farioli impôs no Porto e que levou à conquista do título de campeão. Não foi apenas pela organização em campo, mas também pelo homem-a-homem, agora claramente assumido, apenas ensaiado no início da época, e uma linha de cinco atrás com a inclusão de Altimira, em determinados momentos do jogo, em vez do recuo de Catamo. 

O 4x3x3 do Sporting parece ter vulnerabilidades. A defesa não é suficientemente sólida, quando Altimira recua no terreno o meio campo fica desguarnecido apenas com dois jogadores, Doumbia "perde-se" nos papéis que tem de desempenhar, Catamo está longe da melhor forma e Irankunda não pressiona alto. Não imagino o que irá na cabeça de Rui Borges depois da derrota com o LASK, mas Ba, Flávio Gonçalves, Luís Guilherme e Ioannidis podem estar na calha para dar outra dimensão ao futebol leonino.

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