Síndrome torreense

Teoricamente, quando o adversário é considerado muito mais fraco, pode criar-se a ilusão que a vitória está garantida.

A derrota inesperada na final Taça de Portugal aconteceu, na minha perspectiva, sem desmerecer o adversário, por excesso de confiança. Teoricamente, quando o adversário é considerado muito mais fraco, pode criar-se a ilusão que a vitória está garantida. Sublinho ilusão, porque  nada garantido.

No jogo com Lask Linz repetiu-se essa ilusão e que por isso apelido de “síndrome torreense”. A equipa entrou com confiança, que foi reforçada com golo no início do jogo. Aconteceu que o adversário não se atemorizou, subiu a equipa e começou a disputar o resultado. Ao invés, a nossa equipa recuou, perdeu rigor, cometeu erros individuais de palmatória e ofereceu a vitória ao Lask.

Segundo os especialistas encartados, além de erros individuais infantis, faltou-lhe no meio campo, alguém que segurasse e pautasse o jogo. Altimira que é o melhor nessa função e jogou encostado à defesa. O curioso é que esta estratégia resultou com o Lens. Mas também é verdade que todas as equipas são diferentes.

Sendo o futebol um jogo colectivo, não costumo arranjar patinhos feios para justificar derrotas. Todo são culpados, a começar pelo responsável máximo, o treinador. Poderá ter errado na estratégia, desvalorizando o adversário, mas não disse aos jogadores para cometerem erros infantis e dos quais resultaram golos. Poderia ter feito substituições mais cedo. Não fez e isso não percebo. Displicência, falta de agressividadeat e de atitude competitiva, estão no cerne da derrota. Portanto, apontar um único culpado, como já vi em comentários é na minha opinião uma análise  errada e a que já estamos habituados.

Por outro lado, tenho dito e continuo a dizer, que esta é uma equipa nova que ainda anda à procura do seu caminho. É muito diferente da anterior. Altimira ainda não é Hjulmand. Doumbia menos é Morita ou Pedro Gonçalves, Catamo não é Trincão. Mas nada está perdido, porque chegar às pré-eliminatórias ainda é possível.

Teoricamente e na prática, os chamados grandes ganham aos pequenos, mas como em tudo na vida, há excepções. O que é preciso considerar é que não há adversários derrotados à partida. Temos de entrar em campo a dar o máximo, para não sermos vítimas do “síndrome” torreense.

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