ÀS TERÇAS ESCREVO EU

GRANDE ÁREA
Estou de regresso.
Estive calado. Não por ter falta de assunto. Talvez por ter assunto a mais.
Mas há coisas que nos fazem voltar.
Primeiro, o Sporting e vocês (estimados leitores, Sportinguistas sem aspas).
De seguida, o arranque da Liga.
E, por último, sobre o que escolhi escrever: Luiz Suárez.
“Marcou, marcou, marcou outra vez,
a Colômbia é verde e branca,
Luiz Suárez!”
Era assim o cântico que ouvi em inúmeros jogos da época passada.
28 de julho de 2025. Chegava ao Sporting o avançado colombiano.
A tarefa era simples de dizer e hercúlea de executar: fazer esquecer Gyökeres.
Suárez conseguiu.
CONTEM-ME OUTRA
Marcou. Lutou. Entusiasmou.
E rapidamente passou a ser um dos nossos.
Até ao momento em que foi para o Mundial e, em sentido figurado, já não voltou.
O “Cafetero” chegou com fama de ter mau feitio.
Parece que a fama, afinal, não apareceu por acaso.
DA FILA 8
Eu esperava outra coisa.
Depois de todo o episódio do “Grego”, pensava que Suárez iria esclarecer, falar, explicar e demonstrar que queria continuar no Sporting.
Calou-se.
E há uma velha expressão que diz:
“Quem cala, consente.”
Afinal, parece que existiu mesmo tudo aquilo que se dizia.
Tem contrato?
Tem.
Tem cláusula?
Tem.
Então, qual é o problema?
De repente, parece ter-se esquecido de quem é, de onde veio, e, sobretudo, de com quem está a lidar.
E aqui penso que Rui Borges fez bem.
Suárez tem de perceber uma coisa simples: ser jogador do Sporting é também ser profissional do Sporting.
Brincar é no parque.
E um bom profissional respeita o clube que representa, os contratos que assina e quem tem a responsabilidade de lhe pagar.
A VOZ DA BANCADA
Da bancada, veio a voz.
Parecia o vento quando uma janela fica mal fechada.
Não gostou.
Eu também não.
Mas amuou.
E, no final, frente ao Vitória, “na volta da gratidão em comunhão”, fez a pala para a bancada.
Quem procurava?
Disfarçou.
Não bateu palmas.
Talvez tenha sido apenas um gesto.
Talvez não.
Mas há gestos que dizem muito.
ISTO TAMBÉM É SPORTING
Este é o Sporting novo. Já tem 8 anos.
Um Sporting que exige respeito.
Um Sporting que cumpre contratos.
E um Sporting que espera que os seus profissionais façam exactamente o mesmo.
Não há jogadores acima do clube.
Não há nomes acima do símbolo.
E não há cláusula que substitua o respeito.
Por isso, Suárez, o conselho é simples:
treina.
E treina bem.
Não compres barulho.
Joga.
Marca.
Volta a ser o jogador que nos fez cantar.
Porque eu continuo a acreditar que podes ficar.
E que podes voltar a escalar.
Mas há uma condição: calar e jogar.
Caso contrário, há sempre uma equipa B.
O RESTO É CONVOSCO
Prometo não ficar em silêncio.
E, se voltares a vestir a camisola do Sporting com a mesma entrega que demonstraste quando chegaste, também não terei qualquer problema em voltar a aplaudir-te.
Porque o Sporting sabe perdoar.
Mas não pode esquecer.
E, se por um acaso ou vírus, conseguires levar os teus intentos até ao fim:
“Vai pela sombra e leva a baixeza. Nós ficamos com a grandeza.”
A ingratidão e a falta de lealdade são a porta da rua, que é a serventia da casa.
O resto é convosco.
Não escrevo para agradar.
Escrevo porque tenho algo a dizer.
Foi a minha expressão.
Ao meu estilo.
SL
Rui Ferreira
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