O alarme terá soado após a final da Taça. Houve claramente jogadores para quem a disputa de mais esse troféu não se revestiu especial aliciante.
Para quem já ganhou campeonatos, brilhou na Champions e conseguiu no photo finish mais um milionário apuramento, jogar contra o modesto Torreense, mesmo no palco sublime do Jamor, não suscitava motivação e empolgamento de maior.
Como na política, na arte, na história e em quase tudo na vida, os ciclos abrem-e e fecham-se; como dizia Paulo Coelho, “na natureza não há vitórias nem derrotas, há apenas movimento”. E eu acrescentaria, passam os ciclos, fica a crença.
Na minha opinião, Ruben Amorim iniciou o exercício da metamorfose da ambição, conseguindo inverter o síndroma do secundarismo resignado, legado que Rui Borges foi mantendo e o Sporting teve o mérito de encontrar ou recuperar jogadores de qualidade, que souberam interiorizar esse novo espírito de conquista, libertando-se das mediocridades dos Pongolles, Chikabalas e Bolasies.
A notoriedade, como se sabe, traz custos e muitos jogadores passaram a ser cortejados por instâncias, que lhes acenavam com o irresestivel canto da sereia de novos eldorados.
Penso que no racional, por detrás desta revolução na equipa, está a constatação que a chama da ambição carece de novos protagonistas, mais disponíveis para a exaltação de novas conquistas.
Fique claro então que não se trata de deserção, nem de liquidação, outrossim de renovação. E é preciso coragem para a fazer.
É evidente que estas mudanças encerram riscos, mormente o de se embaciar a identidade ganhadora que era o 'ex-libris' destes novos tempos.
Prefiro correr esse tipo de riscos a ter uma equipa com jogadores conformados, contrariados ou com a cabeça noutro lado sendo que, apesar da extensão remodelativa, vejo nos que ficam, quem corporize os valores do clube e garanta a sua continuidade.
Aos que partem, um profundo agradecimento; aos que chegam, um voto de confiança.
Para o Sporting bons augúrios para conquistar o vigésimo sexto campeonato, em ano do festejo de cento e vinte anos.