Nesta rubrica, o leitor tem a oportunidade de apreciar - e se entender, criticar as notas (0-6) que eu atribuí aos jogadores do SPORTING CP e a outros intervenientes do jogo com o SHAKHTAR DONETSK da jornada 04 da Liga CAMPEÕES, que resultou numa vitória por 1-0. Golo de Issa Doumbia 59'.
LONDRES FOI TALISMÃ PARA UM LEÃO EM REVOLUÇÃO

O SPORTING apesar de viver um momento crítico, chega aos 9 pontos na Liga milionária. Tiago Fernandes (treinador interino) mostrou coragem, astúcia e determinação ao baralhar por completo as ideias de quem defende que, a construção de uma equipa precisa de tempo, metodologias, planeamento, identidade etc, etc...inclusive surpreendeu o próprio opositor que não esperava enfrentar uma linha de 5 (3 centrais). Precisou de 2 dias para treinar a revolução, mudando o sistema e as dinâmicas da equipa, apostando numa maior solidez atrás e dois avançados, e a equipa pareceu mais confortável, alegre e solidária, sobretudo os centrais e Altimira. Com bola os leões produziram pouco, mas tiveram chances no 2º tempo, construindo lances bem desenhados que acabaram por fazer a diferença com o único golo da partida, que deu uma vitória importante nas contas para passar à 2ª fase. Doumbia decidiu, Anderson brilhou, Rui Silva voltou a agarrar o lugar.
DESTAQUE - SILAS ANDERSON - 5.5 - A emergir uma estrela na equipa? Grande jogo do jovem dinamarquês e a mostrar que a jogar assim será ele e mais dez. Ja tínhamos visto que tecnicamente está num patamar acima, faltava-lhe confiança, pulmão e consistência, ontem mostrou tudo isso, sempre tranquilo fez a diferença em posse, a defender, na pressão, a transportar e a abrir espaços (isolou por 2 vezes o avançado colombiano). "uno jogadorzazo".
RUI SILVA - 5 - Deve ter recuperado o lugar, precioso a transmitir confiança ocupando toda a baliza e sempre no timing certo a roubar as bolas que voaram pelo ar na sua área. Umas quantas defesas a negar o golo aos ucranianos deram mais brilho a uma exibição que foi muito boa.
GENY CATAMO - 4 - Grande primeira parte que confirmou que está a caminho da sua forma, foi um quebra cabeças para os de Donetzk quando disparava pelo seu corredor, nos seus habituais ziguezagues com a bola bem colada e escondida. Pena a perda de gás repentina, caindo a pique no segundo tempo.
EDUARDO QUARESMA - 4 - Atirou-se ao jogo sem tremedeiras e sem as fronteiras rígidas mentais posicionais, alguns sinais do retorno da alegria pelo jogo que o libertou da pressão desnecessária que tem vivido nos últimos jogos. Quase que a metia lá dentro depois de um elegante "cabezazo" e que proporcionou a melhor defesa da noite ao Dmytro Riznyk.
EDUARDO FELIÇISSIMO - 5 - A grande surpresa no onze e logo ali no lugar do patrão da defesa e surpreendeu com uma grande exibição de nível altíssimo, o que irá dar boas dores de cabeça ao novo treinador Paulo Fonseca. Uma estreia europeia com brilhantismo, oferecendo inteligência, muita agilidade, coragem e capacidade de explosão em espaços curtos. Coates deve estar orgulhoso com o que ontem viu.
GONÇALO INÁCIO (Cap) - 4 - Salvou quase em cima da linha de golo o golo do empate do Shakhtar. Perante as dificuldades na velocidade em recuperar os espaços, teve ordens notadas para se manter na sua zona e cumpriu com acerto.
MAXIMILIANO ARAÚJO - 3.5 - Surpreendente ter sido elegido o homem do jogo pela UEFA, porque a sua exibição esteve muito aquém do que habitualmente consegue fazer, está algo distante da sua forma, foi estranhamente ultrapassado várias vezes pelo Alisson e na saída de bola esteve quase sempre desligado, falhando passes comprometedores.
SERGI ALTIMIRA - 4.5 - Sentiu-se mais confortável ao sentir os apoios mais próximos, não tendo tantos espaços largos aberto para acudir, geriu melhor o desgaste, jogou simples tendo ação defensiva decisiva quando ucranianos atacaram com tudo na busca do empate.
ISSA DOUMBIA - 4 - Uma exibição desastrada que decorreu em toda a primeira parte, a equipa jogava praticamente com menos um. No segundo tempo sentiu forte mordidela e despertou, cresceu bastante, ganhando confiança e resolveu Londres com o único golo do jogo. Já antes quase que marcava num remate cruzado com a bola a provocar vento no poste.
FOTIS IOANNIDIS - 3.5 - Uma exibição de fato macaco e fora dos holofotes, fez um trabalho exigente e de enorme sacrifício sem bola, mas precioso para o objetivo que a estratégia da equipa levou definido. Estorvou ao máximo a primeira fase de construção do adversário, com grande humildade e espírito de solidariedade. Teve também participação no golo do Doumbia.
LUÍS SUÁREZ - 4 - Voltou a não estar feliz na finalização, (algum egoísmo exagerado) mas atirou-se a eles com todas as ganas e foi poderoso a segurar a bola para permitir à equipa respirar e poder meter a sua mudança estratégica no ritmo. Brilhou em alguns lances individuais, como o cruzamento tenso para o remate de Doumbia e esteve envolvido na assistencia para o golo da vitória.
RODRIGO ZALAZAR - 2 - Entrou 70' - Foi a única aposta falhada do jovem treinador, nunca conseguiu entrar no jogo. Apareceu num único lance, a ganhar uma falta quase no fim junto a área adversária e que permitiu à equipa respirar e acreditar ainda mais que o jogo estava ganho.
ÍVAN FRESNEDA - 2 - Entrou 83' - Uma das vitimas da revolução do treinador no onze. Era hora de fechar os corredores (esquerdo) com gente fresca, cumpriu.
JOÃO SIMÕES - (Sem nota) - Entrou 88' - Rendeu o italiano, entrou para ganhar as segundas bolas e fechar no centro, perseguindo o portador da bola.
SALVADOR BLOPA - (Sem nota) - Entrou 88' - Missão fechar o corredor direito, era a hora da solidariedade na defesa.
TIAGO FERNANDES - (6) - Quis mostrar serviço e não ser apena um tapa buraco. Assumiu a responsabilidade com coragem e determinação numa tarefa que se antevia difícil, perante o momento conturbado da equipa, treinador despedido pelos maus resultados e pior ainda pelo mau desempenho nos jogos, um pesadelo que parecia não ter fim. Acreditou numa ideia e pô-la em execução, mesmo que isso representasse uma autentica revolução, voltar a uma linha de 3 centrais e logo comandada por um caloiro estreante na maior competição do planeta, assumir 2 avançados e dar liberdade no meio campo a outro jovem (Anderson), tudo isto para ser preparado em apenas 2 dias e 2 treinos e a verdade é que veio de Londres com os milhões da vitória e deixou a equipa com um pé na segunda fase.

ARDA TURAN - 3 - Foi surpreendido por um aprendiz, mesmo que mostrando muita qualidade na circulação, roubando na maior parte do tempo a bola ao Sporting, não conseguiram ser eficazes nas oportunidades que tiveram, faltou-lhes o elemento, pragmatismo, no que os leões de Portugal deram lição.
IVAN KRUZLIAK (Árbitro - Eslováquia) - 4 - Um jogo que foi mais difícil de dirigir do que aparentou na TV, teve muitos confrontos físicos e varias decisões técnicas complicadas de ajuizar, algumas dentro das áreas. Saiu-se bem e por cima, acertando na maioria dos lances.
MARCO DI BELLO (VAR - Itália) - 4 - Esteve bem em não interferir em lances que afinal não foram claros e óbvios.