O futebol nunca foi apenas sobre a vitória. É também sobre perder, reerguer-se, e persistir acreditando, acreditando sempre, e correr atrás de um sonho mesmo quando, à nossa volta, muitos já desanimaram. É, também, sobre algo muito simples, a paixão de ver jogar e, no final, sentir alegria ou tristeza. O escritor espanhol Javier Marías escreveu em “Selvagens e Sentimentais” que o futebol constitui um regresso à infância. Trata-se de uma definição muito feliz do jogo. Porque não há nada mais raro do que ver pessoas adultas, homens e mulheres, regressarem, por instantes, aos seus primeiros fascínios.
Hoje jogamos em Londres uma partida que, não sendo decisiva, é muito importante para as contas finais da fase de liga da Liga dos Campeões. Se vencermos, a derrota frente ao LASK adquire outra dimensão, pode ter consequências diferentes. Pelo menos, por um momento, durante 90 minutos, teremos um olhar diferente sobre o banco da nossa equipa. O que quer que pensemos sobre o que se passou nos últimos dois dias, é bom que consideremos que o futebol nunca pretendeu reduzir o caos da vida a um conjunto organizado de evidências. O futebol é essencialmente sobre a paixão de ver jogar.
Jorge Palma escreveu e cantou “A Gente Vai Continuar”. Talvez seja uma canção acertada e feliz para as actuais circunstâncias do Sporting. Remete para nós, sportinguistas, para as desilusões ou divergências recentes, mas principalmente para a vontade indómita de nos levantarmos de novo, da motivação absoluta para a luta, a procura de vitória, da vontade, do querer, de seguir em frente pelo sucesso e pela glória. É esse o nosso caminho, a montanha que temos de subir.
“Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar”