Esta “piadola” usada pelos adversários em relação ao Sporting, que durante muitos anos, seguidos, não ganhou o campeonato nacional, admite-se em conversas de café , mas não devia ser proferida por um primeiro-ministro de Portugal, numa sessão parlamentar. Independentemente das suas preferências clubísticas, só um manifesto mau gosto de estilo brega, levava tal frase para um lugar de discussões institucionais. Mas mostra a sua impreparação para o lugar que ocupa.
Esteve bem o presidente Varandas em criticar tal atitude de uma forma muito "soft "e sem querer fazer muito ruído e percebe-se porquê, mas não me vou alongar sobre um assunto que também é político Só quero acrescentar que os portugueses, de uma forma geral, não costumam misturar futebol com política e têm as suas opções partidárias, para além das simpatias clubísticas.
Mas aproveitando a deixa e indo um pouco mais fundo na questão, quero fazer uma breve reflexão sobe o que está na origem da “piadola”. Como se recordam o afastamento do Sporting da conquista dos campeonatos nacionais, tem origem nos anos 80, com a ascensão de Pinto da Costa e do “sistema” que criou para controlar a arbitragem. Esse domínio durou até ao início do século XXI, quando sofreu um forte abalo com o chamado “apito dourado”, que se esfumou pelos buracos da justiça. Entretanto, reinventou-se com um novo protagonista de nome Vieira.
Do ponto de vista interno, é preciso referir que o Sporting passou por período de instabilidade, onde as sucessivas Direções eram quase sempre instáveis e onde as claques tinham um peso considerável. O que levou a dizer-se que o Clube era gerido de fora para dentro.
Com a introdução do VAR e com a má experiência diretiva de Bruno de Carvalho, que levou à eleição de Varandas, foi possível contrariar uma prática de décadas e pôr o Sporting a competir de igual para igual dentro do campo. O resultado está à vista e foi possível ganhar três campeonatos em meia dúzia de anos. Hoje o Clube é competitivo e disputa os títulos, cara a cara. com os adversários.
Mas nuvens negras espreitam no horizonte, a norte, onde um novo “chico-esperto” com pezinhos de lã, vai tentando impor um novo sistema, mais sofisticado, assente na guerra contra os “mouros”. Portanto, esta “piadola” vinda de onde vem, pode ter sido uma distração política, mas alerta-nos para a uma nova realidade.