O Chico-esperto

Neste país, haverá muitos chicos espertos, mas o que me preocupa, pelos reflexos que a sua espertice estão a ter no nosso futebol doméstico, chama-se Villas Boas

Com o mundo numa situação complexa, onde as bestas do apocalipse imperam, guerras, fome, exploração, o que é que foi tema, neste país, até â exaustão? A birra de um jogador de futebol e o conflito que gerou, horas infindas de discussão, da qual não saiu uma luzinha. Mas não é esse o assunto que vou abordar, neste espaço, vocacionado para assuntos de um clube desportivo.

O assunto que quero abordar, tem a ver com uma prática humana, designada como chico-espertismo e que na definição geral significa “Tendência para procurar o benefício ou a vantagem pessoal, mesmo em prejuízo de alguém”, ou pessoalizando, «pessoa que tenta ludibriar os outros, julgando-se mais expedita do que eles».

Neste país, haverá muitos chicos-espertos, mas o que me preocupa, pelos reflexos que a sua espertice estão a ter no nosso futebol doméstico, chama-se Villas-Boas e dirige um clube com um passado de má memória. Quando chegou ,apareceu com a áurea de alguém, que vinha trazer uma nova visão para nosso futebol. Tal como Rui Costa ou Varandas, faria parte de uma nova forma de actuar, contrária à de Pinto da Costa ou de Vieira. Uma esperança de um futebol, limpinho para citar o treinador Jesus.

Esperança vã. Passado pouco tempo, a dita personagem depressa mostrou ao que vinha. Para ganhar vale tudo, dentro e fora do campo. Com um discurso manhoso, mas bem articulado, que de certo modo acompanha sua acção, vai levando a água ao seu moinho. O presidente Varandas, na sua ingenuidade, ainda procurou encontrar um parceiro para modernizar e trazer paz ao nosso futebol.

Por acção ou omissão, cedo se desmascarou. Cedo começou a tratar os seus congéneres, como inimigos.Veja-se a forma como são recebidos os adversários nas Antas. Mas para além disso, é no discurso, cínico e hipócrita, que começou a desmascarar-se. Varandas ainda tentou contrariá-lo, mas a sua falta de jeito para a argumentação, ainda lhe deu mais argumentos, passe o pleonasmo.

Estamos perante o verdadeiro chico-esperto, para não usar outra formulação. A questão que se coloca é como lidar com esta personagem. Ignorá-lo? Desmascará-lo? Combatê-lo? A resposta não me parece fácil.

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