Foi um acaso, pá!

Coincidências 🤔⁉️

Estava com pressa. Aeroporto é zona de baixa em hora de ponta. Mas lá parti.
Destino: Sicília.
Agosto. Tempo de férias, veraneio e passadiços. E, vá lá, alguma inspiração. Há lugares onde a palavra “coincidência” tem uma sonoridade especial.
O que é bom passa depressa. E passou. Mas ficou.

Ao chegar, futebol para animar. Normal.
Não estava na 1.ª jornada, mas o Viriato contou-me que, no fim de semana passada, o amigo se fartou de rir. No dia a seguir, o riso foi com o siso.
Arrancou.
Nada de estranho por aqui.
Eu acredito em coincidências. Sempre acreditei. Sobretudo quando são muitas, acontecem todas ao mesmo tempo e envolvem sempre os mesmos.
Não estou a insinuar nada. Deus me livre. Estou apenas a fazer aquilo que qualquer cidadão curioso faria: contar.

Um destes dias, enquanto caminhava no Jardim Fernando Pessa, em Lisboa, encontrei o do costume.
O Viriato.
— Sabes lá!
— Então?
— O Rio Ave, contra o Porto, fez uma falta.
— Uma?
— Uma.
— Só?
— Só.


Fiquei a pensar.
Uma falta em 90 minutos.
Nem eu, que sou um homem de boa-fé, consigo ser tão disciplinado.
Foi um acaso, pá!

Depois apareceu Bruno Alves. Diretor técnico do Rio Ave. Antigo jogador do Porto. Este verão ainda deu umas peladinhas com a camisola azul e branca.
Coincidência.
Mas não acaba aqui.

— Viriato…
— Diz.
— Sabes quanto ficou o Casa Pia-Benfica?
— Sei. 0-7.
— E o grego?
— Pavlidis?
— Esse.
— Marcou 3 golos em 7 minutos, imagina!

Parei.
Sete?
Três golos?
Sete minutos?
Espetacular.

Foi um acaso, pá!

O dono do Casa Pia é o mesmo grupo que detém o Parma.
Krause Group.
Coincidência.

É um acaso, pá!

Entretanto, o Benfica contratou ao Parma um central por cerca de 20 milhões.
Alessandro Circati.
E o guarda-redes do Casa Pia nesse 0-7?
André Gomes.
Formado no Benfica.
Transferido para o Casa Pia poucas semanas antes.
Factual.
E ainda havia Henrique Araújo.
Outro jogador que saiu do Benfica para o Casa Pia.

Negócio definitivo, com 50% dos direitos económicos de uma futura venda para cada clube.
Negócio de ocasião.
Tudo perfeitamente normal.
Tudo transparente.
Tudo factual.
Eu podia continuar.
Mas não quero.
Porque depois ainda há quem diga que eu vejo coisas onde elas não existem.
E eu não vejo.
Eu conto.

Uma falta.
Um antigo jogador.
Um proprietário comum.
Um clube italiano.
Um central de 20 milhões.
Um guarda-redes formado no Benfica.
Dois jogadores recentemente saídos da Luz.
Um 0-7.
Três golos em sete minutos.


E eu, que por acaso estive de férias na Sicília, começo a achar que escolhi o destino certo.
Olhei para o Viriato.
— Ó Viriato…
— Diz.
— À mulher de César não basta ser séria!
— Tem de parecer.
— Pois.
Ficámos os dois calados.
Ele olhou para mim.
Eu olhei para ele.
Depois perguntou:
— Queres que te diga uma coisa?
— Diz.
— Se isto tudo fosse na Sicília, já havia uma série na Netflix.
— E em Portugal?
O Viriato e o seu sentido de humor apurado.
— Em Portugal?
— É futebol.
Fiquei sem resposta.

Ele levantou-se.
— Anda daí.
— Para onde?
— Beber uma cerveja.
— Porquê?
— Porque tanta coincidência dá sede.
E lá fomos.

Foi um acaso, pá!😃

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