AS NOTAS DE JULIUS

Nesta rubrica, o leitor tem a oportunidade de apreciar - e se entender, criticar as notas (0-6) que eu atribuí aos jogadores do SPORTING CP e a outros intervenientes do jogo com o VITÓRIA GUIMARÃES da jornada 02 da Liga Portugal Betclic, que resultou numa vitória por 3- 2. Golos de Flávio Gonçalves 9'; Fotis Ioannidis 22' e Sergi Altimira41'.

MESMO A VENCER POR 3-0 EM ALVALADE OS LEÕES TREMERAM

Foi um SPORTING de duas caras no arranque da Liga em Alvalade. Apesar da conquista dos 3 pontos, que é o mais importante, não afastaram os fantasmas e até os alimentaram, mesmo quando foram para o intervalo a vencerem confortavelmente por 3-0. A equipa leonina voltou a tremer em quase todos os lances defensivos - a dupla Quaresma/Inácio não funciona, até pela inércia no jogo físico e aéreo, quando nenhum dos 2 consegue assumir os galões de patrão na voz de comando, e ainda para ajudar na "festa" do treme/ treme, um meio campo que simplesmente se autodesligou na 2ª parte, ficando  à deriva, sem orientação, revelando grandes dificuldades nos posicionamentos...de todos e em meter pausa, o que faz com que o jogo nunca esteja verdadeiramente controlado, mesmo com uma vantagem de 3 golos. Valeu a Rui Borges o facto do ataque (o melhor setor da equipa) ter estado eficaz, com grande destaque para Ioannidis, que começa a mostrar-se, um ponta de lança de elevado nível de qualidade e que vai deixar marca. Ioannidis esteve nos 3 golos, Flávio Gonçalves e Altimira estrearam-se a marcar.

DESTAQUE - FOTIS IOANNIDIS - 4.5 - Um golo e duas assistência deu para para mostrar o que pode dar. Destacou-se claramente nos duelos de contacto físico, com escola de ponta de lança, exímio nos movimentos dos duelos e visão dos lances. Um durão da área.

RUI SILVA - 2 - Voltou a vacilar, confirmando que está a passar por um mau momento, quiçá também, pela ausência de um verdadeiro patrão no eixo da defesa que o ajude a estabilizar. Vários erros que podiam ter comprometido.

GEORGIOS VAGIANNIDIS - 2 - Sendo verdade que se atirou ao jogo numa entrega total, mas faz quase tudo em esforço e nos limites. Falta depois sempre qualquer coisa mais para terminar os lances por cima. Num atraso inexplicável entregou a bola ao adversário que quase faz golo. Saiu lesionado e de maca 80', depois de uma entrada dura de Gustavo Silva.

EDUARDO QUARESMA - 3 - Desta vez não se aventurou no meio campo adversário com os seus conhecidos slalons, mais posicional, tentou ser mais eficaz a defender o que nem sempre conseguiu da melhor forma, revelando dificuldades em ligar-se com o Inácio no centro da defesa, nos movimentos de fechar espaços, no jogo aéreo e nas saídas em posse.

GONÇALO INÁCIO (Cap) - 3 - Depois da tão paupérrima exibição na Reboleira as melhorias foram poucas. Não tem o dom de um verdadeiro comandante da defesa, foi permissivo em quase todos os lances do ataque adversários, ajudando a transmitir toda aquela tremideira que se viu na equipa em toda a 2ª parte. 

MAXIMILIANO ARAÚJO - 3 - Um regresso que se saúda, mas apresentou-se longe do que pode fazer. Facilitou em excesso e pareceu mais interessado em dar brilharetes.

SERGI ALTIMIRA - 4 - Uma primeira parte de bom nível culminada com um "golazo" fora da área, uma "patada" fulminante que fez abanar as redes da baliza do Oliwer Zich e que fez levantar o estádio. Na 2ª parte acusou o desligar de vários colegas, que o deixaram na maior parte da vezes distante, isolado, sem apoios, quando na tentativa de oposição aos vários adversários que lhe apareciam pela frente.

ISSA DOUMBIA - 3 - Pareceu o elemento mais perdido da equipa, com tremendas dificuldades em ler o jogo, perdendo-se e desgastando-se em movimentos vãos, numa altura em que a equipa mais necessitava de equilíbrio no centro do terreno. Deambulou sem nexo e sem o rigor que se impunha principalmente no apoio ao colega espanhol e na função box to box.

GENY CATAMO - 3 - Com uma exibição intermitente, foi protagonista da melhor jogada da noite,  com uma chapelada tirou o seu opositor da frente e deu de bandeja para o grande golo do avançado grego. Na segunda parte solidarizou-se com o eclipse total da equipa e foi substituído (67') 

FLÁVIO GONÇALVES - 4 - Voltou a marcar pontos no destaque de poder vir a ser a revelação deste campeonato. Vários pormenores de classe que o destacaram na capacidade técnica e rapidez de execução. Um craque em construção acelerada.

RODRIGO SALAZAR - 1 - Tudo lhe correu francamente muito mal nesta estreia em Alvalade, perante os seus adeptos. Foi uma sombra das suas reais capacidades. Perdeu-se em iniciativas sem nexo, numa ausência de critério em lances que surpreendentemente até tinha espaço para fazer muito melhor. Quis imitar o colega e amigo uruguaio (Max) nos brilharetes e saiu-se mal, perdendo a bola no lance que acabou por resultar no 3-2.

LUÍS SUÁREZ - 2 - Entrou num momento estranho e bizarro, a equipa tinha perdido o meio campo e o Rui Borges decide-se por colocar 2 ponta de lança. Raramente a bola lhe chegou e o melhor que conseguiu foi arrancar um canto que provocou aplausos das bancadas.

LUÍS GUILHERME - 2 - A ideia era renovar os corredores com pulmão folgado, fez a sua parte, a de segurar a bola para tirar ao adversário as chances de chegar ao empate. 

JESSE DERRY - 2 - Teve o mesmo papel do colega brasileiro, era hora de agarrar a vitória e os 3 pontos com  unhas e dentes e cumpriu quando teve bola, segurando-a.

ÍVAN FRESNEDA - 2 - O infortúnio do jovem Vagiannidos atirou-o para jogo e ainda a tempo de mostrar utilidade nos poucos instantes que jogou, um bom corte numa ação ofensiva perigosa do Vitória e a manter a bola junto da linha lateral até ao apito final.

Rui Borges no banco do Sporting no jogo frente ao V. Guimarães - Foto: Miguel Nunes

RUI BORGES - 3 - Nota positiva no limite, a vitória foi alcançada, mas é inexplicável todo aquele apagão da equipa na 2ª parte, depois de ter chegado à vantagem de 3-0. O aviso sério da Amadora parece não ter tido qualquer efeito prático. Uma exibição que deixa preocupações claras, quando se vê ausência de comando na defesa e no meio campo, a jogarem de forma anárquica, permitindo ao Vitória chegar inúmeras vezes perto da baliza do Rui Silva. Depois com a perda clara do meio campo, a opção da entrada do Suárez para 2 ponta de lança na frente, onde a bola quase nunca lá chegou, quando o problema foi a falta de mais gente no centro do terreno.

TIAGO MARGARIDO - 3 - O seu Vitória ficou perto de uma grande proeza em Alvalade, ameaçou o 3-3 depois de estar a perder 3-0. A verdade é que conseguiu com mérito chegar à baliza do Sporting por várias vezes durante todo o jogo e provocar tremedeira nos leões e nas bancadas vestidas de verde. 

DAVID SILVA (Árbitro - AF Porto) - 3 - Não foi uma boa arbitragem, longe disso, com erros na avaliação das faltas e no capítulo disciplinar, com amarelos por mostrar a jogadores do Vitória.

MANUEL OLIVEIRA (VAR - AF Porto) - 3 - Sem casos para intervir. Ficou a dúvida na entrada mais violenta do Gustavo Silva ao Vagiannidis que o tirou do jogo de maca.

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