Um Sporting de Champions bateu com a porta na cara da nova realidade

António Guimarães (CNN Portugal)

Bem-vindos a uma nova realidade, aquela em que uma equipa turca joga de igual para igual com uma equipa portuguesa, mostrando até que pode ser melhor. Se no ano passado vimos o Benfica a passar o Fenerbahce com alguma facilidade para chegar à Liga dos Campeões, esta quarta-feira vimos um Sporting a sofrer muito perante o Galatasaray, sendo até por vezes amassado, sobretudo no início da partida, que acabou por ter duas partes completamente distintas.

Os leões bateram-se de igual para igual, mas o Galatasaray esteve quase sempre por cima do jogo nos primeiros 45 minutos, colocando várias vezes à prova uma defesa que apareceu com algumas surpresas, nomeadamente as titularidades de Georgios Vagiannidis e Eduardo Quaresma.

Foi, por isso, sem surpresas que os primeiros minutos deram golo dos turcos, num lance de insistência em que Rui Silva fez duas grandes defesas, sendo que a última foi já para lá da linha de baliza. Autogolo de Gonçalo Inácio e Galatasaray em vantagem.

Depois do sufoco, o Sporting conseguiu encontrar um mínimo de conforto no jogo, ainda que tendo o adversário quase sempre por cima na primeira parte, pelo menos a nível territorial.

O golo do empate acabou por chegar num lance algo enrolado em que Geny Catamo foi o mais esclarecido, rematando de primeira uma bola que passou por uma floresta de jogadores até entrar na baliza turca.

O Sporting ainda tentou uma outra saída, mas sem a capacidade para criar perigo que se exigia, com o intervalo a chegar com a sensação de que Rui Borges podia e devia aproveitar os 15 minutos para pedir algo de diferente aos seus jogadores.

Mexer não mexeu, mas alguma coisa Rui Borges fez, já que o Sporting regressou com tudo para a segunda parte, invertendo a tendência de domínio no jogo, o que se traduziu em dois golos ainda nos primeiros 20 minutos. Um deles, o de Rodrigo Zalazar, é para ver e rever várias vezes, com o uruguaio a bater um livre exímio para dentro da baliza, dando algum descanso num jogo que chegou a parecer muito mal encaminhado.

Mesmo perante a qualidade do Galatasaray, o Sporting mostrou que o estatuto pesa e que o clube é, nesta altura, muito mais de Champions do que o seu adversário.

Isso mesmo viu-se na entrada para a segunda parte, que teve pelo meio o golo de penálti de Luis Suárez a consumar a reviravolta. Depois, com o golaço de Rodrigo Zalazar, o Sporting descansou com bola e nunca mais permitiu ao Galatasaray o ritmo que a primeira parte chegou a ter.

Olhando para o todo da exibição, é daqueles jogos em que se pode dizer que o Sporting evoluiu nos últimos anos ao ponto de atingir o nível de Champions, resistindo quando é preciso resistir, mordendo quando é preciso morder e matando quando é preciso matar.

Num jogo que era traiçoeiro à partida, os leões conseguem três pontos importantes numa longa caminhada.

O Sporting acaba este jogo a contrariar aquilo que possivelmente vai passar a ser uma tendência, que é a ascensão dos clubes da Turquia ao patamar dos clubes de Portugal, talvez até a um nível acima. Aí, diga-se, o Galatasaray está, para já, muito acima dos rivais caseiros, mas ainda longe de ter o nível que se exige neste patamar durante todo o jogo.

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