Também nos diz respeito. Opiniões?
A UEFA reúne-se esta quinta-feira numa sessão de emergência para discutir uma possível resposta ao polémico plano do presidente da FIFA, Gianni Infantino, de privatizar o Campeonato do Mundo. Segundo o ‘The Independent’, entre as opções em cima da mesa está mesmo a ameaça de boicotar a competição, numa tentativa de travar a iniciativa.
A reunião acontece numa altura em que cresce a contestação no futebol europeu ao projeto de Infantino, que prevê a entrada de investimento privado na principal competição da FIFA. Em paralelo, a Comissão Europeia está também a analisar se o plano poderá violar as regras da concorrência da União Europeia.
Revolta no futebol europeu
De acordo com o ‘The Independent’, o descontentamento é transversal às principais organizações do futebol europeu. A Federação Inglesa de Futebol (FA), as Ligas Europeias, a Associação de Clubes Europeus (ECA), a União dos Clubes Europeus, a Football Supporters Europe e outras entidades criticaram publicamente a forma como o processo foi conduzido.
As críticas centram-se na falta de consulta às federações e restantes organismos do futebol, bem como no curto prazo — apenas 53 dias — dado para decidirem sobre uma proposta considerada por muitos como uma transformação histórica da modalidade.
Segundo a publicação britânica, vários responsáveis entendem ainda que a promessa de maiores receitas financeiras para quem apoiar o projeto foi utilizada como forma de pressionar as federações.
Boicote ganha força
A possibilidade de um boicote ao Campeonato do Mundo deverá ser debatida na reunião desta quinta-feira, marcada para as 14h00 (hora do Reino Unido).
Embora os estatutos da FIFA obriguem as federações a participar nas suas competições, fontes ouvidas pelo ‘The Independent’ recordam que, em 2022, várias associações europeias ameaçaram boicotar o Mundial caso a Rússia fosse reintegrada na competição após a invasão da Ucrânia, levando a FIFA a recuar.
Comissão Europeia analisa plano
Além da frente desportiva, o projeto de Infantino poderá enfrentar obstáculos jurídicos.
A Comissão Europeia está a avaliar se a privatização do Mundial poderá retirar à FIFA algumas das proteções de que beneficia ao abrigo do direito europeu da concorrência.
Segundo o The Independent, Bruxelas considera que essas isenções existem porque as federações desportivas desempenham uma função de interesse público. Caso a gestão da principal competição do futebol mundial passe a obedecer predominantemente a interesses privados, esse enquadramento poderá ser posto em causa.
Se isso acontecer, a capacidade da FIFA para desenvolver as suas atividades comerciais na Europa poderá sofrer um impacto significativo, abrindo uma nova frente de conflito entre o organismo liderado por Gianni Infantino e o futebol europeu.