O tempo e o modo do Sporting

“As fases difíceis têm, para as equipas de futebol, um ritual próprio. Há sempre dúvidas quanto ao futuro do treinador, desde logo, porque já se sabe quem tem de ter permanentemente as malas prontas. Há bolas ao poste e lances caricatos, porque os deuses da bola são cruéis a aplicar a lei de Murphy.

Em Alvalade vive-se em crise. Há lenços brancos para o treinador. Há bolas nos postes, cinco nos últimos dois jogos. E há assobios, claro, enviados da bancada para o relvado a cada hesitação, cada erro, cada pedaço de jogo próprio da falta de inspiração do momento. Até quando soa o apito final e há triunfo da equipa da casa se escutam assobios.”

É desta maneira que Pedro Barata, em a Tribuna Expresso, se refere à situação actual que se vive em Alvalade. No Sporting percebe-se que é volátil tudo o que foi feito nestes últimos anos, que nada resiste a uma fase de grande fragilidade da equipa de futebol que se iniciou naquela tarde fatídica no Jamor. Tudo é efémero, tudo muda à velocidade da luz. E se na vida nada é permanente, no futebol nada é previsível.

Sabe-se que o pavio se esgota quando a bola não entra na baliza adversária. Esgota-se sempre. Isso nós sabemos. Também sabemos que quando se vai à guerra muita coisa pode correr mal. O arqueiro é, simultaneamente, aquele que visa o alvo, o que o atinge e que é atingido. É sempre difícil controlar a ocasião e as circunstâncias. O tempo é desfavorável e o modo não permite um deslize.

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