As Notas do Julius 2026/27 (01)

Nesta rubrica, o leitor tem a oportunidade de apreciar - e se entender, criticar as notas (0-6) que eu atribuí aos jogadores do SPORTING CP e a outros intervenientes do jogo com o ESTRELA DA AMADORA da jornada 01 da Liga Portugal Betclic, que resultou num empate 2-2. Golos de Rodrigo Salazar 46' e Fotis Ioannidis 59'.

NAUFRAGIO DO LEÃO COM A VITÓRIA À VISTA   

O SPORTING entrou em falso na Liga e de forma quase chocante, ao deixar fugir uma vantagem de 2 golos já no quarto de hora final. Os leões dominaram e criaram várias ocasiões até aos 60' (ao intervalo podiam estar a vencer por 3 ou 4), fez 2 golos até acertarem a definição na 2ª parte, mas a partir das substituições (Rui Borges precipitou-se, mais uma vez) a equipa desligou quase por completo e de forma inexplicável deixou de suster os contra ataques do Estrela e ainda mais surpreendente, de ter bola. Com a memória muito fresca dos maus resultados contra os últimos da Tabela (AVS e Tondela) e a derrota humilhante na final da Taça de Portugal, começou a nova época da pior maneira, empatando na Reboleira e deixando muitas dúvidas no ar, de um banco que não serviu para nada (foi claramente inferior ao banco do Estrela) e de um treinador que persiste nos erros que ditam a perda de pontos. Salazar marcou e assistiu, Suárez e Anderson foram uma nulidade, Inácio e Rui Silva também estiveram muito mal.

DESTAQUE - RODRIGO SALAZAR - 4.5 - Sem surpresa está encontrado o novo patrão da equipa, o sucessor do nórdico Hjulmand (que já deixou ontem muitas saudades). Tem o trono e a coroa à sua espera, mas vai necessitar de quem o ajude, porque fazer quase tudo sozinho na frente, quando chegarem os meses de inverno estará de rastos. Tem um nível claramente diferenciado dos colegas avançados, fez quase tudo bem, com um critério elevadíssimo de qualidade, sentindo-se confortável em todas as zonas do meio campo adversário. Não mereceu a grande traição dos colegas da retaguarda, quando atiraram a vitória, que parecia bem agarrada, pelo cano abaixo.

RUI SILVA - 1 - Parece querer solidarizar-se com o rival do outro lado da circular (Trubin), que vive atualmente tempos difíceis, de forte contestação), inacreditável a forma como abordou o lance que resultou no segundo golo do Estrela ( e não foi a primeira vez), ja no lance do 2-1 podia ter feito muito melhor. Apesar de ter negado o 3-2 ao Estrela, voltou a provocar muitas dúvidas aos adeptos leoninos das suas reais capacidades para ser o nº1 do Sporting.

GEORGIOS VAGIANNIDIS - 2.5 - Continua sem justificar os 12M (nem metade parece valer) que o Sporting pagou por ele. Muita parra, mas de verdadeiro sumo, nem uma gota.

EDUARDO QUARESMA - 4 - Um erro comprometedor que resultou no 2-1 e que trouxe uma 2ª vida ao adversário, estragou uma noite que parecia de sonho, numa grande homenagem ao recém desaparecido Franco Baresi. Capaz do quase impossível, de cortar a respiração aos adeptos, oferecendo-lhes um espetáculo do mais alto nível técnico, como um tremendo atleta cirurgião  que consegue fazer cortes cirúrgicos inacreditáveis a tirarem o pão da boca aos avançados adversários e depois do nada deixa-se cair em momentos ridículos, de total falta de concentração e que deitam tudo a perder.

GONÇALO INÁCIO (Cap) - 1 - Um caso que começa a parecer bizarro. Tinha acabado muito mal a época, pensou-se que seria pelo desgaste, afinal não calçou em nenhuma partida do Mundial e que a juntar o período de férias, deixava a expectativa de um reaparecimento em grande nesta nova época, com ganas de bola e fresco como uma alface e afinal....!!! Mau de mais para ser verdade, repetiu sem conta passes e interseções falhadas, foi comido várias vezes em velocidade e não fosse o bombeiro Quaresma a salvar-lhe o coiro por 2 vezes, o desastre teria sido ainda maior. Que se passa Gonçalo? Desaprendeu de jogar futebol?

RODRIGO DIAS - 3.5 - Por onde menos se esperava acabou por ser a surpresa da noite, uma exibição de garra a merecer pelo menos uma atenção especial e colocar a dúvida, de que será mesmo necessário ir ao mercado procurar um lateral esquerdo para rodar com o Maxi. O miúdo esteve à altura, desinibido, sem nunca se deixar cair no mais fácil, no típico jogador/tabuleiro, nada disso, assumiu o risco e a bola, fazendo parte de quem acrescentou realmente ao jogo da equipa. Parabéns.

SERGI ALTAMIRA - 3.5 - Mostrou personalidade e não desiludiu na expectativa que criou nos jogos da pré-época. Apresentou o seu cartão de visita, com tarimba personalizada e de quem pode vir a crescer muitíssimo na equipa. O senão de ainda se notar o vício de rotinas de equipa pequena, demasiado posicional e receoso para os movimentos que requerem maior risco. Jogar no Sporting irá repescar o seu verdadeiro ADN que aprendeu e ganhou quando na formação do Barcelona, será só uma questão de tempo.

ISSA DOUMBIA - 3 - Dos elementos de quem mais se esperava, desiludiu em alguns momentos pontuais do jogo, mas percebeu-se também que tem uma margem de evolução indeterminada, gigante. Pareceu confuso nos movimentos coletivos e nos espaços a sair ou na hora de fechar. A sua saída resultou num erro  que se tornou decisivo, deixando o meio campo à deriva, a que o adversário aproveitou da melhor forma, para chegar ao empate.

GENY CATAMO - 2 - Verdade que participou com mérito no golo inaugural (Salazar) mas que mais fez? Muito curto para o que se lhe pedia e exigia e tinha/tem responsabilidades acrescidas na equipa. Quando a cabeça não funciona na concentração para a sua parte das tarefas, o corpo não consegue responder da melhor forma.

FLÁVIO GONÇALVES - 3.5 - Não foi propriamente uma surpresa, o miúdo não engana e só precisa de ganhar consistência na leitura dos lances, sentir que é de facto peça importante nas manobras da construção e que por isso tem que estar sempre "dentro" e ligado. Cumpriu bem a sua parte, mostrando que tem magia nos pés e que tem aquele elemento que os adversários mais temem, a imprevisibilidade.

FOTIS IOANNIDIS - 3.5 - Vindo de uma lesão prolongada e participando já só na parte final da pré-época, esperava-se que sentiria as dificuldades naturais. Deixou uma imagem positiva, a de um durão e "chatazo" mas também muito persistente de quem nunca desiste a uma bola perdida. Teve o golo nos pés por várias ocasiões, mas tanto insistiu que teve o seu prémio, marcando o golo inaugural. A sua saída também coincidiu com a quebra abrupta da equipa.

LUÍS SUÁREZ - 1 - Entrou 61' - Um desastre, verdade que a bola nunca lhe chegou, mas também nada fez para a ter, muito longe daquele jogador que conhecemos, que fazia autênticos sprinters para roer os calcanhares aos defesas adversários. Foi um corpo morto, uma atitude suicida e que ajudou em muito a sabotar a equipa, traindo-a.

SILAS ANDERSEN - 1 - Entrou 61' - Deixou de veras uma imagem negativa, pior ainda, preocupante da sua real qualidade. Até pode vir a ser dos elementos fundamentais da equipa no futuro, mas para já, parece estar a uma galáxia de distancia dessa realidade. Mostrou uma confrangedora ausência de escola posicional e de movimentos no meio campo para o nível de equipas como a do Sporting, Conseguiu a proeza de estar sempre no lugar errado e ceder nos momentos de pressão, passando autenticamente ao lado do jogo, que a exemplo do Suárez, foi também um elemento a menos na equipa. O que ajuda a compreender o volte face no jogo, com a inesperada ascensão do Estrela no domínio do centro de terreno, no quarto de hora final.

ÍVAN FRESNEDA - 2 - Entrou78' - Sabemos do que pode e sabe fazer e está a cumprir ainda o seu percurso de recuperação, depois da longa paragem por lesão. Pena não ter conseguido fechar o angulo de remate que resultou no golo do empate (2-2).

LUÍS GUILHERME - 1 - Entrou 79'- Com a perda do meio campo a equipa não voltou se quer a chegar perto da área do Estrela e o problema não foi de quem esteve nos corredores. A curiosidade de se ver envolvido em mais ações defensivas que construtivas.

JESSE DERRY - 1 - Entrou 82' - Não acrescentou nada. Viu o adversário fazer o 2-2 e faltou-lhe arte e experiencia de ajudar a equipa a ir para a frente, envolvendo-se em picardias que só beneficiaram o adversário. Uma boa tentativa de fuga, mas foi placado à moda do rugby.

RUI BORGES - 1 - A série de maus resultados vai-se acumulando e parece não ter um fim. Um empate de todo inesperado e com cunho de culpas diretas do treinador.  Voltou a mostrar as tremendas dificuldades em interpretar os momentos do jogo para poder dar à equipa o que ela precisava realmente. Nas substituições não basta atirar com os jogadores lá para dentro, é preciso entender o que e quando faze-las e com que estratégia individual e coletiva. Quando mexeu, foi uma catástrofe, com o Pepa e o seu banco de "desconhecidos" a comerem de cebolada toda a equipa técnica do Sporting e os seus muchachos.

PEDRO DA COSTA (PEPA) - 4 - Podia ter chegado ao fim da primeira parte goleado e com a partida já resolvida para o adversário. Mas o destino presenteou-o com erros crassos do adversário na 2ª parte, golos oferecidos e uma mão cheia de más decisões que funcionaram com uma injeção de adrenalina, que deram de novo vida à sua equipa. No momento da fragilidade do Sporting, lançou de imediato do banco os seus ilustres "desconhecidos" para o assalto ao empate e quase que conseguiam a remontada.

Foto: Miguel Nunes

JOÃO GONÇALVES (Árbitro - AF Porto) - 1 - Foram vários pequenos erros acumulados e com maior prejuízo para a equipa de Alvalade, mas o erro imperdoável e que teve clara influência no resultado, quando não teve a coragem de expulsar com 2º amarelo aos 67' (ainda com 2-0) o Eddy Doué que agarrou ostensivamente o Suárez e que resultou na reação do colombiano a quem amarelou. Nas imagens vê-se que ele está a ver o movimento dos 2 jogadores e não se entende que só tenha castigado o avançado do Sporting. Inclusive a falta seria a favor do Sporting e com o Estrela a ficar reduzido a 10 elementos.

TIAGO MARTINS (VAR - AF Lisboa) - 3 - Podemos aceitar no limite, que tenha interpretado o pisão ao Ioannidis, dentro da área do Estrela, como não suficiente para ser marcada a grande penalidade. No resto e dentro do protocolo do VAR nada mais a registar que pedisse a sua intervenção.

0