Adoração de ídolos

Desde o início da humanidade que os humanos criaram os seus ídolos. Primeiro, por razões que entram no âmbito da religião e hoje  por outra razões, mas no fundo que têm aspectos religiosos. Quando se admira excessivamente uma pessoa, que por qualquer razão se distinguiu da norma, estamos no campo do irracional. Hoje adora-se quase como um “deus” alguns ídolos que se distinguem sobretudo no campo do desporto

O que se está a passar com o cidadão Ronaldo, jogador de futebol, que pela sua capacidade de se distinguir nesse desporto, raia as margens do ridículo. A comunicação social, incluindo redes sociais, vive muito destes epifenómenos que geram audiências e muito dinheiro. É uma “igreja a céu aberto”, com os seus ritos e os seus sacerdotes.

O que se passou de concreto, é que um jogador de futebol muito famoso, foi tratado da mesma maneira que os seus pares, coisa a que não estava habituado. Fez o que fez, que não vou adjectivar, amarrou o burrinho, como se diz na sabedoria popular e criou uma novela, tipo mexicano, para entreter o pagode.

No fundo, não se inventou nenhuma vacina para doenças incuráveis, mas apenas um caso gerado por egos pessoais e que não vai ter nenhum reflexo no nosso dia a dia. Tudo vai continuar com dantes, com injustiças gritantes, com gente a passar fome e por aí fora, aspecto da vida que não move multidões.

A equipa nacional de futebol está a disputar uma prova. Nós puxamos pelo patriotismo e queremos que ganhe. Mas ganhe ou perca, festejemos ou não festejemos, a vida volta à sua norma, com as suas dificuldades e os seus dramas.

Em tempo, em que o futebol caseiro, razão de ser deste blogue, está parado, optei por este texto, fora do habitual neste espaço, mas o que está a passar-se com um desporto e um ídolo do futebol, que ocupa a agenda mediática, deixa-me cada vez mais perplexo sobre a evolução da humanidade.

P.S. : Terminou mais um jogo da equipa nacional, com uma exibição quase perfeita, o que prova que o futebol é um jogo colectivo e não obra de um ou de outro interveniente, por mais competente.

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