O Sporting e as finanças

A recente intervenção do presidente Frederico Varandas sobre as receitas da Champions teve o mérito de colocar as questões financeiras como assunto de debate entre os sportinguistas. Isso é positivo, até porque a temática, normalmente, é sobre a bola que entrou ou não. Ontem, o Nação Valente e o Rui Ferreira debateram com os nossos leitores essa questão aqui no Camarote Leonino.  

É consensual que a existência de estabilidade financeira tem de ser um vector essencial para a boa prossecução dos objectivos ligados à competitividade desportiva. No entanto, a problemática financeira está no centro da vida do Sporting pelo menos desde a década de 1920. Nesta altura verificaram-se vários episódios que confirmam a crise, particularmente a nomeação de uma Comissão Administrativa presidida por Sanches Navarro (1926) e a “Questão Jorge Vieira” (1928) com o triste diferendo entre o presidente Joaquim Oliveira Duarte e o capitão da equipa de futebol. Nas décadas de 1930 e de 1940 houve com frequência anos de situação financeira difícil, atenuados pelo sucesso desportivo da equipa principal de futebol que evitou uma maior visibilidade das dificuldades orçamentais.

Se a sucessão de épocas vitoriosas entre 1940 e 1954 disfarçou a realidade económica, em 1956 a construção do Estádio de Alvalade fez tocar as campainhas de alarme. Na década de 1960 houve uma Comissão Administrativa, presidida por Brás Medeiros, que estabeleceu um rigoroso programa de disciplina orçamental, e na década de 1970 foi João Rocha com o projecto da sua Sociedade de Construções e Planeamento. Muitos recordam-se da situação nas presidências de Jorge Gonçalves e de Sousa Cintra.

A primeira década da Sporting SAD foi de desequilíbrio financeiro apenas ultrapassado pelas decisões de engenharia financeira tomadas na época de 2004-05. Nos anos seguintes persistiram as dificuldades de sempre e chegou-se aos nossos dias sempre com a palavra “finanças” na boca. No final da época de 2017-18, o Sporting encontrava-se em falência técnica, uma vez que 283 milhões de euros, o montante de financiamento por capital alheio (passivo), era superior ao valor activo (269 milhões de euros).

No seu relatório e contas consolidadas referente ao exercício de 2025-26, o Sporting revelou uma solidez financeira sem precedentes no clube leonino. Pelo quinto ano consecutivo, a Sporting SAD apresentou resultados positivos, fechando com um lucro líquido de €34,7 milhões, um crescimento de 74% face ao período homólogo anterior. Com este resultado, a SAD verde e branca acumula um resultado líquido positivo de €117 milhões ao longo dos últimos cinco exercícios. Percebe-se como tudo isto é volúvel num clube de futebol em que o êxito desportivo se torna na prioridade das prioridades, mas finalmente o Sporting pode sonhar com alguma estabilidade financeira.

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