A equipa que conquistou os dois últimos campeonatos já não existe. Comparando a equipa de ontem com a do ano anterior, na defesa não tivemos Fresneda, nem Diamond e tivemos um Maxi fora de forma. No meio-campo, não estiveram Hjumand, Morita, Simões, Bragança. No ataque não estiveram Trincão, Suarez e Pote por razões diferentes.
Nos primeiros jogos oficiais a equipa com apenas um mês de treinos, já mostra rotinas e fio de jogo. Em dois jogos, marcou cinco golos e podia ter marcado mais. O que é anormal é a apatia nas segundas partes, onde se nota uma paralisia assustadora de todos, incluindo os substitutos.
Contudo, o desnorte em campo, alarga-se para as bancadas. Não percebo os assobios à equipa à segunda jornada quando está a vencer. Nestas circunstâncias, a equipa precisa de incentivos, não de hostilidade. Parece que o clube sofre da autofagia que resultou em longos anos de más classificações. À segunda jornada nada está ganho, nem nada está perdido.
Refiro, porém, alguns aspectos que me parecem incorrectos, enquanto analista de bancada. Não percebo a insistência em Suarez, desmotivado para jogar, mas também não percebo os assobios a um ainda activo do clube. Por outro lado, além da descoordenação na segunda parte, notam-se lacunas na defesa, sobretudo nos centrais. E o Rui Silva precisa de psicólogo.
Em conclusão, não vejo nenhuma razão após os jogos para a instabilidade que se está a criar. E muito menos para a criação de bodes expiatórios. Penso que a estrutura conhece o problema melhor que nós e tomará medidas para o resolver.